"Ai que preguiça..."
[...] Mas cair-nos-iam as faces, si ocultáramos no silêncio, uma curiosidade original deste povo. Ora sabereis que a sua riqueza de expressão intelectual é tão prodigiosa, que falam numa língua e escrevem noutra. [...] Mas si de tal desprezível língua se utilizam na conversação os naturais desta terra, logo que tomam da pena, se despojam de tanta asperidade, e surge o Homem Latino, de Lineu, exprimindo-se numa outra linguagem, mui próxima da vergiliana, no dizer dum panegirista, meigo idioma, que, com imperecível galhardia, se intitula: língua de Camões! [...]" (ANDRADE; 1993. p. 66.)
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segunda-feira, 21 de maio de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O padrão e o Facebook
Nesses dias alguns usuários do
Facebook têm me deixado intrigado. Quem me intriga é aquele que mantém
uma relação ímpar com outros tantos usuários, uma relação de exemplo e de
exigência e cobrança. Mas sejamos claros com isso: o que me preocupa são os
usuários professores e estudantes das licenciaturas.
Procede-se que, não sei se
consciente ou inconscientemente, os professores e graduandos andam se afastando
cada vez mais do padrão-culto. Também não sei dizer se isso ocorre somente,
aqui generalizo, nas redes sociais. Mas verdade seja dita, o padrão passa
longe.
Contudo, deve-se perguntar se não
estou sendo preconceituoso. Espero que não! Quando me reporto a essa questão do
uso da norma-padrão pelos lincencia(n)dos, em especial, no Facebook, volto-me
para a relação destes com os seus alunos. Quem hoje não possui pelo menos um
aluno em sua rede?
O problema é que exigimos deles o domínio da norma, mas na hora de interagir com eles através da escrita, lugar o qual recai toda a cobrança, alguns deixam a desejar. Você, nesse ponto, pode também se questionar: mas não é ambiente virtual? Sim, claro! Não deixo de levar em conta que a escrita na internet é uma faca de dois gumes, sendo o desvio proposital em determinados (muitos) aspectos. É o caso da exclusão das vogais para formar as palavras somente com consoantes. Por exemplo, "contigo" vira "cntg" ou "ctg" na internet, e de "você" surge o "vc", ou o uso de sinais como em "d+". Só lembrando que não são palavras novas, mas maneiras diferentes de grafar uma mesma palavra. Aqui não deixo, também, de levar em conta os enganos na hora da digitação. Ora, quando digitamos, às vezes apertamos um tecla com pouca força, fazendo com que o caractere não saia, ou ainda batemos na tecla vizinha da que pretendíamos.
Ainda sendo ambiente virtual e de escrita mais descontraída, dá para perceber quando não é proposital o desvio. Exemplo, quando um professor (estudante) de história escreve 10 linhas sem uma única vírgula. Quando ainda no texto desse mesmo sujeito encontramos "mais" no lugar de "mas", "cincero" substituindo "sincero", "ler" vira "lê" e "lê" se torna "ler", "cataram" indica futuro e "cantarão" passa a dar ideia de tempo transcorrido. Esses são alguns poucos exemplos do que tenho visto. Que por sinal são os mesmos problemas que vejo nas redações dos meus alunos de 6º ano.
Isso não quer dizer que eles, os professores a que me refiro, não dominam o português. Digo que eles não dominam uma modalidade da língua: a escrita, principalmente a ortografia dessa modalidade. E o pior de tudo, a modalidade mais cobrada aos alunos. Talvez lhe pareça que eu esteja sendo contraditório agora, visto que anteriormente escrevi um texto sobre "erro" de ortografia, no qual afirmo que não se dá para saber a maneira oficial de escrita de todas as palavras. Mantenho minha posição. Entretanto, um professor não dominar a ortografia de muitas palavras, escrever "cincero", achar que "escrever" se escreve "escrevê" ou que "teve aula" seria "tevi aula" é realmente complicado.
Seu aluno está praticando a escrita juntamente com você, professor! Nessa interação, ele se baseia na sua escrita para formar a dele. Então, professor, use pelo menos a vírgula. Faça nem que seja um vocativo!
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Os pupilos do Senhor Reitor
À época do lamaçal que houve na UPE-Campus Mata Norte, no ano passado, peguei um texto, do gênero carta pessoal, de Jô Soares,
chamado "Começo de Ano", e o adaptei às circunstâncias daquele momento. Apenas uma maneira divertida
de criticar a situação em que ficou o campus universitário.
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Carta do Reitor da UPE aos alunos do Campus Mata Norte
Queridos alunos:
Como vão vocês? Eu vou bem. Apenas algumas linhas para desejar um feliz retorno às aulas. Estou
lhes
mandando esta carta depois das férias para evitar que ela chegue
atrasada. Também escrevo para que vocês saibam que eu continuo vivo. Eu
estou escrevendo bem devagarzinho porque eu sei que vocês não
conseguem ler depressa.
Quando vocês
voltarem das férias, não vão nem mais reconhecer o nosso campus. Nós
mudamos. O Governo conseguiu um novo campus maravilhoso. Tem mais de
20 salas. Um miniauditório. Um estacionamento. É sim, nós agora temos
um estacionamento para os ônibus de vocês, não é algo que se diga “ó
que estacionamento maravilhoso”, mas é um. Na verdade, há lama, mas só
um pouco, nada de mais. Nas duas únicas ruas que dão acesso ao campus
também há lama, mas como já disse: nada para se preocupar, nada que os
impeça de assistir às aulas. E esta semana só choveu duas vezes: de
segunda a quinta e de sexta a domingo. O problema é que o dinheiro que
serviria para essas obras morreu, então o tivemos de cremar. Falando
em enterro, o funeral da FÊFÊPÊNÊMÊ, aquele velho campus, foi um
tremendo sucesso. As pessoas aplaudiram tanto que os coveiros tiveram
de subir e descer o caixão quinze vezes. Vou acabar de escrever esta
carta porque o papel está acabando e o Governador ainda não me concedeu
a Autonomia. Se mesmo assim vocês continuarem lendo, é que esta carta
não é a minha.
Beijos
do Reitor.
PS.:
Eu queria aproveitar o começo de semestre para mandar um dinheiro para
vocês, o destinado à assistência estudantil, mas acontece que já
fechei o envelope.
David Pasquinel, também na onda dos protestos, legendou o vídeo sobre Hitler mais famoso da internet, uma cena do filme A Queda: as últimas horas de Hitler.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Disseram-me
"Papos
- Me disseram...
- Disseram-me.
- Hein?
- O correto é "disseram-me". Não "me disseram".
- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é "digo-te"?
- O quê?
- Digo-te que você...
- O "te" e o "você" não combinam.
- Lhe digo?
- Também não. O que você ia me dizer?
- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
- Partir-te a cara.
- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
- É para o seu bem.
- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
- O quê?
- O mato.
- Que mato?
- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
- Eu só estava querendo...
- Pois esqueça-o e para-te. Pronome no lugar certo é elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
- No caso... não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como "esquece"? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou "esqueça"? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
- Por quê?
- Porque, com todo este papo, esqueci-lo."
(Crônica extraída do livro "Comédias para se Ler na Escola".)
Cristo, o Educador
Há algum tempo recebi por e-mail um texto que reflete bastante a situação da educação no Brasil hoje. Abaixo está o texto de que falo, na íntegra, seguido do link para o blog de onde o retirei.
Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens. Tomando a palavra, disse-lhes:
- “Em verdade, em verdade vos digo:
Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Felizes os misericordiosos, porque eles...”
Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?
André perguntou:
- É pra copiar?
Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!
Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?
João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?
Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?
Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!
Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?
Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?
Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.
Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos? Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?
Caifás emendou:
- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?
Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto. E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor titular...
Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto. E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor titular...
Moral da história: "Nem Cristo aguentaria ser professor nos dias de hoje" }
Fonte: SuperDaHora
sábado, 16 de julho de 2011
Erro de Português?
Certa vez fui mostrar à diretora de uma escola em que trabalhei um poema produzido por uma aluna da quinta série do ensino fundamental; ao ver o texto, fez uma careta, daquelas quando pisamos em um espinho, e disse "é... mas tem que melhorar o português". Pense! O que vale mais? A produção ou uns meros erros que não são de português? Pois é isso mesmo! O problema é que muito se confunde ortografia com língua, ou melhor dizendo, professores de matemática, história, geografia, os próprios professores de língua portuguesa, pedagogos, médicos, advogados, jornalistas, pais, tios, avós e um imensa lista fazem essa confusão.
A ortografia de uma língua é maneira pela qual se tenta representar convencionalmente os seus sons num papel. A língua, no nosso caso a portuguesa, possui regras de funcionamento (aqui não me refiro à gramática normativa), essas regras se organizam de acordo com as disposições do sistema linguístico e de acordo com os próprios falantes/escreventes, pois estes tem o poder de criar, recriar, modificar e combinar os elementos da língua.
Uma criança quando não escreve algumas palavras conforme a ortografia vigente, não significa que ela não sabe português, e muito menos que não consegue se expressar direito. Eis aí um grande equívoco de quem assim pensa: imagine uma criança de 5 anos de idade, certamente ela ainda não domina a modalidade escrita da língua, no entanto, expressa-se pela fala perfeitamente. Comunica-se em sua língua materna, o que só pode comprovar que ela sabe português tanto quanto qualquer um de nós letrados.
Muitas crianças têm suas produções jogadas no lixo simplesmente porque o professor de língua portuguesa (ou qualquer outro adulto), aquele que deveria incentivar, repreende e escanteia por conta de um preconceito. Mas aí você deve se questionar "e se não o corrigirmos, ele não aprenderá a ortografia aceita". Não falo de não corrigir, mas de não lhe passar uma correção justamente no momento em que ele está mostrando sua produção. A correção é algo que pode ser trabalhado. O professor pode observar as digressões e elaborar atividades em cima delas, a serem trabalhadas noutro momento. Ou, se for corrigir no ato, buscar um jeito que a criança não seja reprimida: elogiar o texto dela, dar valor ao conteúdo ajuda bastante na correção ortográfica. E ela, logicamente, vai se sentir satisfeita por perceber que você se interessa por aquilo que ela tem para te mostrar. Seja lá como se pretenda trabalhar a ortografia, o importante mesmo é incentivar a escrever, pois quanto mais essa criança escrever mais se apodera da ortografia "correta". Ler, escrever; ler, escrever; escrever, ler; escrever, ler; e depois ler, escrever novamente consistem na prática eficaz para a absorção da modalidade escrita da língua, e por sua vez, de sua ortografia oficial.
Eu, honestamente, não sei a ortografia de todas as palavras, e seria um hipócrita se dissesse que todas as vezes que escrevo não tenho uma única dúvida quanto à maneira de grafar alguma palavra. Nesses momentos vou pro dicionário!
Eu, honestamente, não sei a ortografia de todas as palavras, e seria um hipócrita se dissesse que todas as vezes que escrevo não tenho uma única dúvida quanto à maneira de grafar alguma palavra. Nesses momentos vou pro dicionário!
sábado, 2 de julho de 2011
Gerundismo é feio
Quem nunca ouviu falar de gerundismo? Ou quem nunca ouviu o outro criticar o telemarketing porque está cheio dos gerundismos? Mas antes de adentrar a “questão gerundista”, deixem-me explicar a causa da escritura dessas linhas.
Recentemente ouvi um podcast bastante conhecido no mundo dos blogs (pelo menos penso que seja) quando em um dado momento da gravação o podcaster diz “Nós estaremos avisando...”. Logo em seguida o seu colega o repreende por usar o “gerundismo”. A justificativa para não usar tal estrutura: são dois verbos quando somente um basta. Segundos depois alguém mais ao fundo reclama que “é feio”.
Duas coisas: não está errado e tampouco é feio. Não tenho por pretensão tratar do certo e do errado na gramática normativa, mas abordar uma estrutura viva e muito bem usada na língua portuguesa, o gerúndio. Também não tenho interesse em explicar o que é o gerúndio, mas constatar sua existência na língua. E Já que a dúvida dos prescritivistas é se isto ou aquilo está certo ou errado na gramática, restrinjo-me a dizer que, pensando na tradição gramatical, está completamente correto o uso do gerúndio. Basta abrir qualquer gramática, sendo dos conceituados Celso e Cunha, do reconhecido Bechara, ou não, ver-se-á que o gerúndio está lá, entre as formas nominais do verbo.
E quanto ao feio? Feio que nada! Mas grandes escritores não ficam por aí de gerundismo, seus mais lindos poemas e romances não têm dessas coisas. “Por ti – as noites eu velei chorando, Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!” Escreveu Álvares de Azevedo em Soneto. Carlos Drummond de Andrade ao ver a amada “caída na areia do circo e o leão que vinha vindo”, deu “um pulo desesperado” e o leão comeu os dois na Balada de Amor Através das Idades. O Dom Casmurro de Machado de Assis deixou claro que a porta que ligava sua casa a de Capitu “abria-se empurrando de um lado ou puxando de outro”. Provavelmente estes escritores não sabiam quão é feio usar o gerúndio. Não sabiam o português bonito, o português correto! Machado de Assis, fundador da Academia Brasileira de Letras e um dos maiores cânones da literatura brasileira, certamente, deveria ter tido vergonha de escrever tais absurdos. Talvez Drummond merecesse ser preso pelos crimes cometidos contra a língua. Azevedo, no mínimo, não soube chorar nem sorrir.
O gerundismo foi/é o neologismo usado para se referir às pessoas que usa(va)m o gerúndio em excesso, principalmente o pessoal do telemarketing com o “vou estar transferindo”. Contudo, o preconceito que girou em torno do termo “gerundismo” acabou por criar a ideia de que o gerúndio é algo errado e inaceitável, ou melhor, criou a ilusão de que gerundismo e gerúndio são simplesmente a mesma coisa. Como já dito, o gerúndio é a forma nominal do verbo que representa uma ação contínua. E o gerundismo é uso desmedido da construção verbo ir conjugado + verbo estar no infinitivo + gerúndio: “Vou estar transferindo sua ligação para o próximo setor, para que o sr. possa estar confirmando os seus dados; e ao término da ligação, o sr. vai estar recebendo o protocolo de nosso atendimento.” Certamente a construção ir+estar+gerúndio tende a soar artificial e a um falso cumprimento do prometido, assim como a repetição excessiva demonstra ausência de domínio ou desconhecimento de outras estruturas. Um outro problema é quando temos uma ação pontual como enviar um e-mail e você simplesmente diz “Vou estar enviando um e-mail ao meu superior.” Esse ato enunciativo seria sintaticamente aceitável, do ponto de vista apenas estrutural (sem entrar na questão se o estrutural é suficiente), mas semanticamente confuso. Contudo enunciações como “Passei a manhã de domingo cozinhando.”, “Estava estudando para a prova de história.” e “Estaremos avisando nossos ouvintes.” são completamente possíveis tanto do ponto de vista sintático quanto semântico. Elas indicam ações de continuidade e não pontualidade. Por isso não confundir gerúndio com ir+estar+gerúndio, e não sair por aí corrigindo as pessoas pelo simples senso comum ou pelo “achismo”, mero preconceito.
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